Thursday, 02 De April De 2026
       
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Vira, vira, vira; virou!


Publicado em 24 de julho de 2025
Por Jornal Do Dia Se


* Rômulo Rodrigues

 

“Ó! Que belo companheiro, por que bebe tão ligeiro. Se és covarde saia da mesa que nossa empresa é de valor; primeira bateria, vira, vira, vira; vira, vira, vira, virou”!
Eram assim disputadas as rodadas de cervejas nas patotas dos boêmios cervejeiros nos fins de tarde das sextas feiras nas décadas de 1950 a 1970 e, ninguém sabe dizer quando, como e porque a mania acabou.
Rodada após rodada os fracos começavam a cair até o mais forte chegar ao fim e conquistar o pódio e sair bêbado sem pagar despesa alguma, glorificando a essência da disputa; se és covarde, saia da mesa que nossa empresa é de valor, numa prova de que naquelas pelejas não cabia blefe; o participante aguentava o tranco ou saía abatido e cabisbaixo encarando as devidas gozações do tipo: quem não pode com o pote, não pega na rodilha.
E parece que foi aí que o Trump se estrumpou quando quis tirar teima com o presidente Lula botando na mesa uma carta que não era um Ás de trunfo. Arriscou uma aposta de 50% e viu que só quem saiu perdendo foi ele, num jogo em que não se pode confiar em palpite de peru e muito menos em filho de trambiqueiro que quer se livrar da cadeia.
E que peru! Eduardo Bolsonaro, um verme, desses que não são aceitos em jogo nenhum em meio de feira do maior ao menor povoado de qualquer município, pelo menos, do nosso nordeste e talvez pague o preço de perder o único mercado em que tem superávit nas negociações comerciais tipo, US$ 7 bilhões em 2024, além do Canadá e outros 40 países que se declararam em apoio ao Brasil.
Parece que na arrogância de dono de engenho quando falava para seus escravizados não percebeu que foi o propulsor da retomada da aprovação de quem queria intimidar por cair na conversa fiada dos bajuladores de menor crédito ofertado nas praças e feiras livres.
É provável que não afeito a qualquer tipo de leitura, tenha lido sem entender direito, relatórios do tempo em a CIA distribuiu milhões de dólares para um deputado federal comprar uma bancada de 121 deputados na eleição de 1962, para fazer ferrenha oposição ao presidente João Goulart e supostamente uma mala cheia com um milhão e duzentos mil dólares para um general do exército trair o presidente legitimamente eleito.
Bastava um tiquinho de argúcia ou inteligência para ver que o Brasil mudou muito em relação àquela época quando não tinha aliados fortes no mundo.
Agora tem. Fazendo um comparativo vamos detectar que o país governado por Lula lidera um bloco econômico que fechou 2024 com PIB de US$ 77 trilhões contra US$ 52 trilhões do bloco onde se encontra o país governado por Donald em uma lógica política-ideológica-militar que mede quem tem mais força para aceitar contendas que não sejam blefes.
Outra questão que a mídia aliada dele não aborda é que lá há um contingente significativo de pessoas nativas com milhões vivendo no limite da pobreza, considerando os que moram nas ruas, os que têm moradias precárias mesmo com empregos, os que não têm assistência de saúde e os que caminham para aumentar os índices de suicídio, cujos detectores de tragédias anunciadas já captaram que Donal Trump está brincando com fogo na política externa e sentado numa bomba de alto teor explosivo na política interna, agravada pelas loucuras de colecionar inimigos, deportar imigrantes, aumentar a inflação e o desemprego.
Aqui, pelo visto o que explode é a rejeição à família Bolsonaro cujo fato relevante da semana foi o desabafo do senador Hamilton Mourão contra a taxação de Trump, com um tiro disparado que atingiu, em cheio, o agronegócio que o elegeu, tudo indicando que a reeleição do presidente Lula desliza numa estrada bem asfaltada e sinalizada e os que estão do lado certo da história vão alterar bastante a correlação de forças no congresso nacional e voltar às mesas dos bares da vida e brindar as vitórias com os vira, vira, vira, virou!

 

* Rômulo Rodrigues, sindicalista aposentado, é militante político

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